O diário indecente de uma perereca feliz

Ah nossa perereca, tão cercada de mistérios. Pouco se fala sobre ela, mas muito se pensa a respeito. É comum as mulheres comentarem com as amigas sobre os seus seios e bunda, mas raramente falam o que pensam a respeito da sua eterna amiga. Vários apelidos são dados no decorrer da sua existência como por exemplo pililica, florzinha, área de lazer, entre outras.

Na maioria das vezes falamos sobre ela somente com a nossa ginecologista, e mesmo assim, sem intimidade, utilizamos argumentos técnicos e a chamamos secamente de vagina ou órgão sexual.

Ah mas eu sou uma depiladora e quando minhas clientes deitam a sua perereca na maca para serem depiladas, a língua corre solta, afinal de contas sou expert em perereca, no bom sentido é claro. As perguntas são muitas: meu clítoris é muito grande? Meu ânus é escuro demais? Conseguiria clarear? Minha perereca é muito gorda? Ela tem cheio forte?? Ela é beiçuda demais? E por aí vai…

E por me considerar uma entendida no assunto por já ter visto milhares de pererecas diferentes, sinto-me confortável para falar sobre “elas” e dizer que o importante é você sentir-se confortável com o seu corpo e com a sua “amiga”. Não tenha vergonha, não existe perereca feia ou bonita, o que existe de ruim sobre ela está dentro da sua cabeça e de mais ninguém.

Se fôssemos fazer um concurso sobre perereca e os juízes fossem os homens, posso dizer com toda certeza que eles teriam dificuldade em dizer qual seria a mais bonita e qual seria a mais feia. Acreditem: homens não enxergam o que a mulher enxerga.

Agora vamos ao meu diário:

 

AOS 20 ANOS

Somos joviais e cheias de vida. E você minha amiga, é toda rosada, sem manchas ou áreas escurecidas. Nossos músculos são bem firmes. O nível de estrógeno está bastante alto em nosso corpo, então você se lubrifica muito facilmente. Ainda não somos íntimas, mas uma forte amizade começa a ser selada. Um simples beijo apaixonado faz com que fique quente, as vezes até pelando. Você sente uma vontade incontrolável de brincar, mas o meu cérebro lhe traz algum juízo, afinal de contas anticoncepcional e camisinha não podem faltar nas nossas brincadeiras. Um laço forte de amizade começa a ser formado entre eu e você.

 

AOS 30 ANOS

Querida perereca, já passamos um bocado juntas e podemos dizer que adquirimos uma certa bagagem. Hoje sou uma mulher mais segura e confio mais em mim mesma. Atualmente somos amigas íntimas, confidentes mesmo, mas nem sempre foi assim.

Já tivemos dois filhos e você se encontra uma pouco mais larga, podemos dizer que você está mais relaxada, mas não menos importante. Eu já sei como você funciona perfeitamente e também já sei onde você escondeu o clítoris. As vezes consigo achar o famoso ponto G, mas com uma certa dificuldade. Sinto que a cada dia nos tornamos mais importantes uma para outra.

 

AOS 40 ANOS

Já não somos jovens, alguns cabelos brancos começaram a aparecer, estamos mais seguras do que nunca, sabemos exatamente onde, como e com quem queremos estar. Não deixamos que nos façam de otária como antigamente. Já sei falar não, sem sentir culpa.

Já se passaram 4 décadas e o estrogênio anda em baixa, é preciso disposição para que você fique realmente lubrificada. Nessa idade você já não acende com um simples beijo apaixonado, é preciso além do tesão, estar conectada de verdade com o parceiro.

Não nos sentimos sós, e o tal do papanicolau é a nossa única obrigação. Ser saudável é o que importa no momento.

 

A partir dos 50

Já percorremos metade do caminho e passamos muitas coisas juntas. Experiência temos de sobra.  Ah como seria bom ter a vivência de hoje, com o corpinho de 20, mas esquece, porque isso não é possível e cada idade tem o seu encanto.

A menopausa chegou e o Agreste instalou-se definitivamente na minha amada amiga. É preciso paciência, um bom vinho e muiiiiiiiiiiiiiitas preliminares para que a chuva caia e a perereca se molhe. Podemos lançar mão dos lubrificantes sem pudor, o importante é ter prazer.

Já não temos paciência para mimimi, o tempo urge e não podemos desperdiçá-lo.

Conclusão, já não ligo mais se minha perereca é bonita, feia, gorda ou magra, na atual conjuntura o que eu quero mesmo é aproveitar a vida e ser feliz.

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